terça-feira, 20 de novembro de 2007

A propósito do artigo de Ayse Parla - Subsídios para o debate

O artigo coloca uma questão central da filosofia política: Como se define uma identidade?

Concretizando, uma identidade definida em termos étnicos pode servir de base a uma política? se sim, em que condições? Como explicar as diferenças radicais entre o nível macro e micro na análise de Ayse Parla? Tem o caso algum paralelismo com o fenómeno dos "retornados" das ex-colónias no pós 25 de Abril?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A Visão Global - 1ª tentativa

Os grandes numeros, a estatística, fala-nos duma Europa que envelhece; uma Europa onde se nasce menos e onde a esperança de vida é cada vez maior. Os grandes numeros sugerem um futuro para a Europa onde os imigrantes têm um papel cada vez mais revelante na correcção destas tendências.

Olhando país a país, ainda dentro da lógica dos grandes numeros constata-se que a capacidade de acolhimento de imigrantes têm uma forte correlação com os ritmos de crescimento económico do respectivo país associado a factores históricos, geo-estratégicos e politícos, que por sua vez interagem entre si. Passado colonial e modelo de relação com as ex-colonias, politica de imigração, coesão social interna, são alguns exemplos de variáveis que geram a capacidade de acolhimeno de novos imigrantes e que se condicionam mutuamente.

Proponho-vos sair dos grandes numeros para a micro observação. Cada um de nós olha o "outro" de maneira diferente. Também será verdade que o "outro" nos dá uma maneira diferente de nos olharmos a nós próprios. A nossa identidade forja-se na relação com o "outro" e o nosso auto-conhecimento é um processo que implica o diálogo e a acção numa esfera pública- uma vita activa. Este movimento não é muitas vezes paçifico- raramente o é- e no limite a alteridade pode produzir rupturas nos nossos padrões de acção mas também na vida do nosso espirito, na maneira como pensamos e tomamos decisões.

Pensar o sujeito como um nó de redes à escala planetária, sugere que pensemos também que ele contém em si a mesma essencia causal e estrutural de todo o universo gerando, e ao mesmo tempo, reflectindo uma cadeia de relações e sinergias infinitas. Desta maneira qualquer acto humano é imprevisível, existindo a possibilidade de que pequenas acções "mudem o movimento dos planetas". Esta desmaterialização define possívelmente uma das caracteristicas essenciais das sociedades contemporâneas.

O corolário lógico seria que o território e o espaço perdessem relevância.

Todos os dias à nossa volta a experiência diz-nos exactamente o contrário. A maneira como os sujeitos negoceiam o espaço público faz emergir tipos e modelos de relações especificos que podem alastrar e ser apropriados ampliadamente em circulos virtuosos ou viciosos.

No caso concreto da Quinta da Serra a nossa experiência é que o território do bairro, no contexto do Prior Velho e da Área Metropolitana de Lisboa, entra em interacção com o sujeito e com o "outro" e é tanto mais determinante quanto mais o ignoramos.

A escolha do tema das mobilidades urbanas tem a ver com a noção que pequenas coisas que podemos mudar na organização das nossas cidades podem mudar a nossa vida e a dos outros. Esta tarefa de mudança é, antes do mais um acto de cidadania, um acto político.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Sustainable Transportation Defined

"A system of movement that is safe, equitable and environmentally sound, fits within the landscape and culture of a particular area, and balances local needs such as mobility, access and commerce, with global concerns such as human rights, resource conservation and ecological diversity."

Mist Site

About Mist

MIST, the Missoula Institute for Sustainable Transportation, is a citizen-based, nonprofit organization in Missoula, Montana

Communities around the world with active walking and cycling cultures. Excellent transit systems that run on clean energy. Bicycle station and car share options. Safe and fluid vehicle movement. Networks of greenway corridors that connect people and open space. A global awareness of transportation issues and impacts.

Mist II - Considerations in setting community wide speed limits

Noise:
The difference in the noise level of a car going 30mph and a car going 40mph is 1000%. In other words, the faster car is ten times louder than the slower car. Research shows that this extra noise adversely affects sleep, play, and learning of people close to busy roadways.

Efficiency:
Due to closer following distances, a roadway can actually move more cars that are traveling 30mph versus 40mph. 30mph is just about the optimal travel speed for maximizing capacity.

Pollution:
Most often, slower travel speeds mean smoother travel, meaning less stop and go traffic. This means less acceleration and braking which is inefficient and causes extra pollution.

Public Space/equity:
A vehicle's speed is a major factor on impacting a community's public space. In general, the faster a vehicle travels the more space it takes up- imagine a 'bubble' of unusable space surrounding a motor vehicle that gets larger as speed increases.

Social Interaction:
One study has shown that 17 mph is the maximum speed at which two people can pass each other and recognize one another.

Slow City - Mist

Slowing down means great savings to a community in many different ways. Slowing down should be both a beneficial side-effect of a well-designed transportation system and also an intentional design element. Self-explaining streets (in the form of good design- including narrow, 10' lanes and plenty of green space) is one of the best ways to achieve 'slow.'



Slowing Down in a World Build for Speed

Slow down - Getting More... By doing Less

Dear Harvard student,
Students arriving at Harvard have gained admission by participating and excelling in a variety of academic and nonacademic activities in their secondary schools. We hope that you will continue to cultivate many of the qualities that distinguished you in your precollege years — your pursuit of excellence, your strength of character, and your ability to balance your academic drive with participation and success in extracurricular activities. And yet college is different from high school in important ways, and some habits acquired in anticipation of applying to college may not serve you as well while you are here. You may succeed more fully at the things that will be most important to you if you enter Harvard with an open mind about the possibilities available to you, but gradually spend more of your time on fewer things you discover you truly love. You may balance your life better if you participate in some activities purely for fun, rather than to achieve a leadership role that you hope might be a distinctive credential for postgraduate employment. The human relationships you form in unstructured time with your roommates and friends may have a stronger influence on your later life than the content of some of the courses you are taking.

Harry R. Lewis University Hall, Harvard College
Gordon McKay Professor Cambridge, MA 02138
of Computer Science E-mail: lewis@harvard.edu
Dean of Harvard College

A arte do Contexto- o caso do bairro da Quinta da Serra

Quando olho para o bairro, quando olho para as nossas crianças, para os nossos jovens procuro sempre perceber o que estamos a fazer.

A fecundidade da nossa acção e também a eficácia do nosso trabalho depende do rigor do diagnóstico. A miopia - ver bem unicamente as coisas que nos estão próximas - não nos ajuda a acertar no alvo. Circunscrever o diagnóstico ao bairro é um erro. Temos de olhar para a cidade, para a escola e procurar agir.

A escola deveria ser mais inclusiva do que é. O sistema de ensino e a organização que lhe está subjacente deveria estar de acordo com as necessidades especificas do seu público-alvo. Escolas em territórios habitados por imigrantes teriam de se adaptar às suas necessidades de integração e desenvolvimento e não o contrário. Muitas vezes os projectos como o nosso são vistos como uma maneira de ajustar as crianças e jovens a uma escola-tipo abstracta. No limite estes projectos são sítios para onde se mandam as crianças com as quais a escola não consegue lidar. Agir com as escolas para encontrar modelos e práticas mais inclusivas é seguramente uma das grandes tarefas do nosso projecto.

As oportunidades ao nível da educação, formação e das saidas profissionais dos jovens estão limitadas por um facto aparentemente menor. O nosso modelo de mobilidade urbana está baseado no automóvel e a nossa rede de transporte pública é pouco eficiente. No caso especifico do Prior Velho isso aplica-se por maioria de razão. O Junilto entra às 8.30 h na escola em Benfica sai de casa às 6:00 h da manhã correndo o risco de, se tudo correr bem, "ir para lá dormir" ou, se tudo correr mal, chegar atrasado! A "moda" actual de estar a tirar a carta de condução, quase todos os jovens maiores de 18 anos estão ou querem tirar a carta, reflecte isso mesmo.

Muitos dos hábitos de consumo dos jovens que são julgados duma maneira apressada uma inversão inexplicável de prioridades e.g. roupas de marca, "tecnoluxúria", etc. estão profundamente ligados a uma reacção a contextos exclusivos. Tirar a carta para, a seguir, ter um automóvel insere-se aí.

Quando olho para o bairro, quando olho para as nossas crianças, para os nossos jovens, emerge esta evidência de que as causas dos problemas não estão dentro mas fora do bairro.

Angel Cebollada i Frontera: Sinopse do Autor

"Este artículo analiza la relación existente entre la movilidad cotidiana y la exclusión social. El modelo de movilidad hegemónico basado en el uso del coche se revela como selectivo, puesto que su utilización es desigual según la adscripción social de los individuos. Mujeres, jóvenes e inmigrantes son tres de los colectivos con unos índices de motorización menores. La menor disponibilidad de vehículo privado reduce las posibilidades de uso de la ciudad a estos colectivos. En este contexto, las características del territorio urbano se revelan determinantes para extender la igualdad de oportunidades de uso de la ciudad. Se establecen tres categorías de territorio según su capacidad de inclusión social: incluyentes, semiincluyentes y excluyentes. Finalmente, la exclusión del mercado laboral resultado del déficitde accesibilidad ilustra la desigualdad de oportunidades de los colectivos menos motorizados y la importancia de las características urbanas en la búsqueda de mayores cotas de inclusión social."

O automóvel e a exclusão

O modelo hegemónico de mobilidade urbana, baseado no automóvel acentua as desigualdades na utilização da cidade e de acesso ao mercado laboral.

Esta é a conclusão de um estudo de Angel Cebollada i Frontera da Universidade Autónoma de Barcelona, publicado na revista Documents dAnalisi Geográfica nº 48 em 2006.

O estudo chama-se "Aproximacion a los processos de exclusion social a partir de la relación entre el território y la movilidade cotidiana".