quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A Visão Global - 1ª tentativa

Os grandes numeros, a estatística, fala-nos duma Europa que envelhece; uma Europa onde se nasce menos e onde a esperança de vida é cada vez maior. Os grandes numeros sugerem um futuro para a Europa onde os imigrantes têm um papel cada vez mais revelante na correcção destas tendências.

Olhando país a país, ainda dentro da lógica dos grandes numeros constata-se que a capacidade de acolhimento de imigrantes têm uma forte correlação com os ritmos de crescimento económico do respectivo país associado a factores históricos, geo-estratégicos e politícos, que por sua vez interagem entre si. Passado colonial e modelo de relação com as ex-colonias, politica de imigração, coesão social interna, são alguns exemplos de variáveis que geram a capacidade de acolhimeno de novos imigrantes e que se condicionam mutuamente.

Proponho-vos sair dos grandes numeros para a micro observação. Cada um de nós olha o "outro" de maneira diferente. Também será verdade que o "outro" nos dá uma maneira diferente de nos olharmos a nós próprios. A nossa identidade forja-se na relação com o "outro" e o nosso auto-conhecimento é um processo que implica o diálogo e a acção numa esfera pública- uma vita activa. Este movimento não é muitas vezes paçifico- raramente o é- e no limite a alteridade pode produzir rupturas nos nossos padrões de acção mas também na vida do nosso espirito, na maneira como pensamos e tomamos decisões.

Pensar o sujeito como um nó de redes à escala planetária, sugere que pensemos também que ele contém em si a mesma essencia causal e estrutural de todo o universo gerando, e ao mesmo tempo, reflectindo uma cadeia de relações e sinergias infinitas. Desta maneira qualquer acto humano é imprevisível, existindo a possibilidade de que pequenas acções "mudem o movimento dos planetas". Esta desmaterialização define possívelmente uma das caracteristicas essenciais das sociedades contemporâneas.

O corolário lógico seria que o território e o espaço perdessem relevância.

Todos os dias à nossa volta a experiência diz-nos exactamente o contrário. A maneira como os sujeitos negoceiam o espaço público faz emergir tipos e modelos de relações especificos que podem alastrar e ser apropriados ampliadamente em circulos virtuosos ou viciosos.

No caso concreto da Quinta da Serra a nossa experiência é que o território do bairro, no contexto do Prior Velho e da Área Metropolitana de Lisboa, entra em interacção com o sujeito e com o "outro" e é tanto mais determinante quanto mais o ignoramos.

A escolha do tema das mobilidades urbanas tem a ver com a noção que pequenas coisas que podemos mudar na organização das nossas cidades podem mudar a nossa vida e a dos outros. Esta tarefa de mudança é, antes do mais um acto de cidadania, um acto político.

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